Gatos são criaturas gloriosas que não podem, de modo algum ser subestimadas. Seus olhos são profundezas inexpugnáveis dos mistérios felinos. Lesley Ann Ivory
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
domingo, 15 de janeiro de 2012
Ode ao Gato - Arthur da Tavola
Bichos polêmicos sem o querer, porque sábios, mas inquietantes, talvez por isso. Nada é mais incômodo que o silencioso bastar-se dos gatos. O só pedir a quem amam. O só amar a quem os merece.
O homem quer o bicho espojado, submisso, cheio de súplica, temor, reverência, obediência. O gato não satisfaz as necessidades doentias do amor. Só as saudáveis.
Lembrei, então, de dizer, dos gatos, o que a observação de alguns anos me deu. Quem sabe, talvez, ocorra o milagre de iluminar um coração a eles fechado? Quem sabe, entendendo-os melhor, estabelece-se um grau de compreensão, uma possibilidade de luz e vida onde há ódio e temor? Quem sabe São Francisco de Assis não está por trás do Mago Merlin, soprando-me o artigo?
Já viu gato amestrado, de chapeuzinho ridículo, obedecendo às ordens de um pilantra que vive às custas dele? Não! Até o bondoso elefante veste saiote e dança a valsa no circo. O leal cachorro no fundo compreende as agruras do dono e faz a gentileza de ganhar a vida por ele. O leão e o tigre se amesquinham na jaula. Gato não. Ele só aceita uma relação de independência e afeto. E como não cede ao homem, mesmo quando dele é dependente, é chamado de arrogante, egoísta, safado, espertalhão ou falso.
"Falso", porque não aceita a nossa falsidade com ele e só admite afeto com troca e respeito pela individualidade. O gato não gosta de alguém porque precisa gostar para se sentir melhor. Ele gosta pelo amor que lhe é próprio, que é dele e ele o dá se quiser.
O gato devolve ao homem a exata medida da relação que dele parte. Sábio, é espelho.
O gato é zen. O gato é Tao. Ele conhece o segredo da não-ação que não é inação.
Nada pede a quem não o quer.
Exigente com quem ama, mas só depois de muito certificar-se.
Não pede amor, mas se lhe dá, então ele exige.
Sim, o gato não pede amor. Nem depende dele. Mas, quando o sente,é capaz de amar muito. Discretamente, porém sem derramar-se. O gato é um italiano educado na Inglaterra. Sente como um italiano mas se comporta como um lorde inglês.
Quem não se relaciona bem com o próprio inconsciente não transa o gato. Ele aparece, então, como ameaça, porque representa essa relação precária do homem com o (próprio) mistério. O gato não se relaciona com a aparência do homem. Ele vê além, por dentro e pelo avesso. Relaciona-se com a essência. Se o gesto de carinho é medroso ou substitui inaceitáveis (mas existentes) impulsos secretos de agressão, o gato sabe. E se defende do afago. A relação dele é com o que está oculto, guardado, e nem nós queremos, sabemos ou podemos ver. Por isso, quando surge nele um ato de entrega, de subida no colo ou manifestação de afeto, é algo muito verdadeiro, que não pode ser desdenhado. É um gesto de confiança que honra quem o recebe, pois significa um julgamento.
O homem não sabe ver o gato, mas o gato sabe ver o homem. Se há desarmonia real ou latente, o gato sente. Se há solidão, ele sabe e atenua como pode (ele que enfrenta a própria solidão de maneira muito mais valente que nós). Se há pessoas agressivas em torno ou carregadas de maus fluidos, ele se afasta. Nada diz, não reclama. Afasta-se. Quem não o sabe "ler" pensa que ele não está ali. Presente ou ausente, ele ensina e manifesta algo. Perto ou longe, olhando ou fingindo não ver, ele está comunicando códigos que nem sempre (ou quase nunca) sabemos traduzir.
O gato vê mais e vê dentro e além de nós. Relaciona-se com fluidos, auras, fantasmas amigos e opressores. O gato é médium, bruxo, alquimista e parapsicólogo. É uma chance de meditação permanente a nosso lado, a ensinar paciência, atenção, silêncio e mistério. O gato é um monge portátil à disposição de quem o saiba perceber.
Monge, sim, refinado, silencioso, meditativo e sábio monge, a nos devolver as perguntas medrosas, esperando que encontremos o caminho na sua busca, em vez de o querer preparado, já conhecido e trilhado. O gato sempre responde com uma nova questão, remetendo-nos à pesquisa permanente do real, à busca incessante, à certeza de que cada segundo contém a possibilidade de criatividade e de novas inter-relações, infinitas, entre as coisas.
O gato é uma lição diária de afeto verdadeiro e fiel. Suas manifestações são íntimas e profundas. Exigem recolhimento, entrega, atenção. Desatentos não agradam os gatos. Bulhosos os irritam. Tudo o que precise de promoção ou explicação, quer afirmação. Vive do verdadeiro e não se ilude com aparências. Ninguém em toda natureza aprendeu a bastar-se (até na higiene) a si mesmo como o gato!
Lição de sono e de musculação, o gato nos ensina todas as posições de respiração ioga. Ensina a dormir com entrega total e diluição recuperante no Cosmos. Ensina a espreguiçar-se com a massagem mais completa em todos os músculos, preparando-os para a ação imediata. Se os preparadores físicos aprendessem o aquecimento do gato, os jogadores reservas não levariam tanto tempo (quase 15 minutos) se aquecendo para entrar em campo. O gato sai do sono para o máximo de ação, tensão e elasticidade num segundo. Conhece o desempenho preciso e milimétrico de cada parte do seu corpo, o qual ama e preserva como a um templo.
Lição de saúde sexual e sensualidade.
Lição de envolvimento amoroso com dedicação integral de vários dias.
Lição de organização familiar e de definição de espaço próprio e território pessoal.
Lição de anatomia, equilíbrio, desempenho muscular.
Lição de salto.
Lição de silêncio.
Lição de descanso.
Lição de introversão.
Lição de contato com o mistério, com o escuro, com a sombra.
Lição de religiosidade sem ícones.
Lição de alimentação e requinte.
Lição de bom gosto e senso de oportunidade.
Lição de vida, enfim, a mais completa, diária, silenciosa, educada, sem cobranças, sem veemências, sem exigências.
O gato é uma chance de interiorização e sabedoria posta pelo mistério à disposição do homem.
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Uma Canção para a Vida
Uma Canção para a Vida
Hoje quero cantar para a Vida...
A música da Gratidão,
Sabendo que tenho muito mais para agradecer do que pedir,
Por tudo que veio antes de mim,
Por tudo o que virá depois de mim.
Gratidão pelos que ajudaram ou ajudarão,
Pois essas pessoas me ensinam a cada dia que estou na vida para servir.
Gratidão por todos os que se apresentam como pedras no caminho,
Pois me lembram que algumas vezes preciso ser podado para crescer forte.
Hoje quero cantar para a Vida...
A música da Devoção,
Sabendo que tenho muito mais a oferecer do que pedir,
Para a fé que está no coração de cada Ser,
Para Deus que está em todas as manifestações de verdadeira fé.
Quero fazer um altar dentro de mim
E reverenciar meus Pais, meus Antepassados e meus Mestres,
Para que eu possa seguir em frente com humildade e honra.
Hoje quero cantar para a Vida...
a música da Meditação,
sabendo que tenho muito mais a refletir do que pedir.
Quero cantar uma canção sem som, sem métrica, sem palavras.
Quero cantar o silêncio interior,
Para escutar a voz da Consciência que abaixa o volume do ego e aumenta o volume do Ser.
Hoje quero cantar para a Vida...
A música do Coração,
Sabendo que tenho muito mais a cumprir do que pedir.
Quero lembrar de minha primeira inspiração nesta existência, para não esquecer o que estou fazendo aqui.
Quero na última expiração,
ter a certeza do dever cumprido do dharma mantido e do caminho seguido.
Hoje quero cantar para o Mundo
e que outras pessoas ao ouvirem esta canção,
possam cantar juntas comigo
a música da transformação
Texto Prof. de yoga Márcio Assumpção
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Recomeçar é preciso.
Olá pessoal, fiquei muito tempo sem escrever, pois estava passando por sérios problemas.
Mas agora veio a calmaria e resolvi escrever, e dizer que estou recomeçando e recomeçar sempre é preciso.
Estou agora encantada com o curso de artesanato que começei a fazer há uns três meses.
Por isso o "O Gato Arteiro" além de falar de assuntos como autoconhecimento e terapias alternativas, que também é minha paixão, passa a ser um blog onde também irei expor os meus trabalhos artesanais, espero que vocês gostem, são modestos ainda, pois estou só começando.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
As Fases da Lua
As Fases da Lua
Como a lua nos lembra o que se passa conosco!
Não há quem não tenha seus dias de lua cheia! Tudo correndo bem, saúde boa, família em paz. Todos se entendendo e se amando. Se não há dinheiro sobrando, não há dinheiro faltando...
Também não há quem não tenha seus dias de lua minguante... A saúde meio emperrada; incompreensões e aborrecimentos em casa, no trabalho, entre amigos; desilusões; cansaço de viver...
Mas ao redor a lua crescente... Volta, em teima providencial, a esperança. Tudo continua, mais ou menos na mesma. Talvez até pior. Mas, pó rdentro, há mais coragem, mais força!
E o que nos vale é que variam, de pessoa a pessoa, os dias de fossa, os dias de esperança, os dias de alegria plena...
Por que, então não temos paciência uns com os outros, e não nos ajudamos mutuamente?
Mas, em geral, quem anda em lua minguante tem até raiva de quem anda em lua cheia. Parece que a felicidade de nosso irmão nos agride, nos insulta.Parece um roubo.
Acontece, também, que quem anda em lua cheia, em geral, não tem olhos,nem tempo, nem paciência para ficar ouvindo lamúrias da lua minguante...
Ah! Se conseguíssemos o ideal de manter permanentemente, em nós o espírito da lua crescente, o espírito da esperança!
Há quem em plena fase de lua cheia, anda triste. Há pessoas que, em lugar de aproveitar a felicidade que têm na mão, tornam-se incapazes de aproveitá-la,porque ficam o tempo todo pensando que a felicidade é passageira, vai acabar, já está acabando...
Em plena lua cheia, quando a tentação do desânimo chegar, expulsemo-la sem mais, pensando: é verdade. Nem sempre será lua cheia. Virá a lua minguante.Mas de minguante passará a crescente e, de novo, acheia.
Guardem o título de um livro de poemas, que vale como um programa devida: Faz escuro, mas eu canto!
Sim, no meio da maior escuridão, em pleno vôo cego, sem enxergar um palmo diante dos olhos, mesmo aí, mesmo assim filhos da Redenção da Eternidade, temos que manter vida a esperança.
Faz escuro, mas eu canto!
“ Dom Helder Câmara“
Como a lua nos lembra o que se passa conosco!
Não há quem não tenha seus dias de lua cheia! Tudo correndo bem, saúde boa, família em paz. Todos se entendendo e se amando. Se não há dinheiro sobrando, não há dinheiro faltando...
Também não há quem não tenha seus dias de lua minguante... A saúde meio emperrada; incompreensões e aborrecimentos em casa, no trabalho, entre amigos; desilusões; cansaço de viver...
Mas ao redor a lua crescente... Volta, em teima providencial, a esperança. Tudo continua, mais ou menos na mesma. Talvez até pior. Mas, pó rdentro, há mais coragem, mais força!
E o que nos vale é que variam, de pessoa a pessoa, os dias de fossa, os dias de esperança, os dias de alegria plena...
Por que, então não temos paciência uns com os outros, e não nos ajudamos mutuamente?
Mas, em geral, quem anda em lua minguante tem até raiva de quem anda em lua cheia. Parece que a felicidade de nosso irmão nos agride, nos insulta.Parece um roubo.
Acontece, também, que quem anda em lua cheia, em geral, não tem olhos,nem tempo, nem paciência para ficar ouvindo lamúrias da lua minguante...
Ah! Se conseguíssemos o ideal de manter permanentemente, em nós o espírito da lua crescente, o espírito da esperança!
Há quem em plena fase de lua cheia, anda triste. Há pessoas que, em lugar de aproveitar a felicidade que têm na mão, tornam-se incapazes de aproveitá-la,porque ficam o tempo todo pensando que a felicidade é passageira, vai acabar, já está acabando...
Em plena lua cheia, quando a tentação do desânimo chegar, expulsemo-la sem mais, pensando: é verdade. Nem sempre será lua cheia. Virá a lua minguante.Mas de minguante passará a crescente e, de novo, acheia.
Guardem o título de um livro de poemas, que vale como um programa devida: Faz escuro, mas eu canto!
Sim, no meio da maior escuridão, em pleno vôo cego, sem enxergar um palmo diante dos olhos, mesmo aí, mesmo assim filhos da Redenção da Eternidade, temos que manter vida a esperança.
Faz escuro, mas eu canto!
“ Dom Helder Câmara“
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